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Uma abordagem Psicossomática da Fibromialgia

A fibromialgia é uma síndrome crônica, caracterizada por queixa dolorosa músculo- esquelética difusa e pela presença de pontos dolorosos em regiões anatomicamente determinadas, engloba uma série de manifestações clínicas: insônia, dores articulares, dores de cabeça, dormências e formigamentos, câimbras, nervosismo, depressão e ansiedade, síndrome de irritação intestinal, cansaço, rigidez generalizada do corpo ao levantar-se pela manhã e perda de concentração e interesse.

Afeta três a dez por cento da população em geral, sendo que as mulheres são as mais acometidas por esta síndrome (80 a 90%).
A etiopatogenia da fibromialgia ainda não está elucidada completamente.
Diversos estudos mostram que os sintomas clínicos da fibromialgia devem ser decorrentes das alterações nos mecanismos de modulação da dor.
A serotonina, que participa deste mecanismo, é um importante neurotransmissor, e há indícios de um funcionamento insuficiente da neurotransmissão serotonérgica nas pessoas portadoras dessa síndrome. Atualmente, o distúrbio psicoafetivo é considerado como uma face de expressão da fibromialgia.

Desde a formação embrionária, nosso sistema psicocorporal já começa a desenvolver-se e muitas informações que provêm do seu entorno ficam instaladas na história do corpo. Durante e após o nascimento, muitos estímulos são recebidos pelo bebê e durante seu desenvolvimento sua estrutura continua a emitir respostas perante os estímulos.
Afim de não viver algum tipo de sofrimento, alterações na aquisição, percepção e interpretação da dor podem ocorrer, o que resulta em uma reação, uma “contra-ação” muscular. As contrações funcionam então como eficazes protetores de sensações e sentimentos desagradáveis (angústia, ansiedade etc).
Assim, o corpo aprende a defender-se e, futuramente, poderá lançar mão desse arquivo para futuros estímulos nocivos.

Freud (1894) já empregou o termo mecanismo de defesa para ilustrar as formas que o EGO utiliza para defender-se de perigos intrapsíquicos e extrapsíquicos ou ambientais. Então, o ciclo vicioso instala-se: agressão (interna ou ambiental), disfunção serotonérgica, contração muscular, hipertonia, contratura, fibrose, retração.
As contrações musculares não localizam-se apenas em uma determinada região, pois o corpo humano, composto de cadeias musculares, distribui as tensões afim de compensar o “local inicial da dor”: a “contra ação” continua a agir em função de uma acomodação corporal, para não sentir desconforto, que acarreta num desequilíbrio dessa cadeia, o que pode muitas vezes alterar o esquema postural.

Além de afetar o sistema muscular, essa deformação acaba envolvendo o sistema sensorial do corpo como um mecanismo de evitar sentir: o sistema proprioceptivo encarrega-se de “apagar” o sofrimento e, conseqüentemente, o conteúdo psicoafetivo encontra-se anestesiado, “se não sinto, não sofro!”.
Esse mecanismo aumenta ainda mais o estresse psicofísico, pois o indivíduo encontra-se em um combate interno, muitas vezes inconsciente, para manter-se íntegro.
Daí, muitas alterações fisiológicas podem ocorrer perante o confuso funcionamento de defesa que o organismo lança mão.

O tratamento da fibromialgia tem por objetivo aumentar a analgesia, melhorar as alterações do sono e minimizar os distúrbios psicoafetivos.
O tratamento divide-se em farmacológico (com medicamentos) e não farmacológico.
O farmacológico, quando utilizado isoladamente, não apresenta bons resultados. Os antiinflamatórios são comumente usados concomitantemente a outros métodos.
Os medicamentos que atuam no Sistema Nervoso Central, especialmente os antidepressivos, apresentam resultados satisfatórios.
O tratamento não farmacológico é de suma importância, implica em abordagens terapêuticas e corporais, de acordo com as indicações do profissional responsável segundo as necessidades do paciente.

Deve-se levar em conta que o corpo necessita de um continente à dor, um descanso de musculatura, que há tempos na história do corpo encontra-se em atividade defensiva.
As cadeias musculares, incluindo a musculatura respiratória, precisam de apoio, pois as contraturas pedem um sentido para suas dores e muitas vezes elas procuram um caminho de expressão, para os conteúdos e situações que as mesmas protegem.
O sistema sensorial (apagado até então) busca um retorno de suas funções, pois a comunicação das sensações e sentimentos, que há muito não encontram uma “válvula”, reage positivamente frente a um continente externo receptivo, poderá dar um novo sentido às suas dores e sofrimentos, ao abrir espaços internos para viver as infinitas possibilidades da vida.

Dr. Renato Ferreira
Fisioterapeuta e Terapeuta Psicocorporal Morfoanalista
Crefito 17033 - F (canato.ferreira@ig.com.br)

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