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A criança e a sua vida rica em ensinamentos

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Para a criança cada dia é diferente do outro. Ou seja, o dia anterior foi o dia anterior e não faz mais parte do seu passado. O novo dia é tudo o que lhe importa.
Do dia anterior a única coisa que ela traz é o que aprendeu e mesmo assim não sabe disso. Ela não sabe que aprendeu antes como enfrentar uma situação nova do novo dia que surge a sua frente. Ela apenas enfrenta a nova situação, como se realmente fosse nova e dedica a ela toda sua energia e experiência acumulada.
Os erros que ela cometeu no dia anterior, passaram. Mas agora ela já sabe o que é errado, só não lembra onde aprendeu.

No processo da descoberta de como resolver uma coisa, há imersão total. Todo o seu ser vai estar envolvido na solução daquele problema. Ela não consegue deixar para resolver depois, precisa solucionar logo aquele empecilho. Como ela não esquece, ela própria passa a fazer parte do problema. Solucionado o problema, ela imediatamente o descarta da sua vida. Ou seja, aquilo não será mais visto por ela como problema, não importa quantas vezes mais ela o encontre daí pra frente.
Ela costuma, baseada num problema encontrado, brincar com o problema durante sua busca de uma solução.
Então, problema para uma criança, na maioria das vezes, não são problemas de fato, é uma necessidade básica de aprendizado e motivação.
No processo de busca de uma solução, ela vira as costas milhares de vezes, tenta milhares de vezes, mas desistir, isso ela nunca faz.
Um novo dia para uma criança, é de fato um novo dia. Esse novo dia não faz parte do dia anterior. É comum as crianças brincarem com seus velhos brinquedos como se nunca os tivesse visto antes.
Uma criança quando fica ou está doente, não sabe que ficar doente é ruim. Ela sente os efeitos físicos da doença, mas ela planeja seu dia seguinte como se nada estivesse acontecendo. Não desanima em momento algum, sabe na sua simplicidade psicológica que doença e saúde não estão separadas, tudo é uma coisa só. É muito importante notar que ela nunca diz: “Se eu ficar boa...”, e sim “Amanhã, quando eu estiver melhor, vou fazer isso e aquilo...” Também ela ainda não teve tempo de desenvolver o apego às coisas, assim medo e insegurança não existe em seu mundo simples. Seu mundo se resume a duas coisas: o dia que ela está disposta para brincar e o dia que não está.

Ela sequer sabe o que vai fazer com o que aprende ou vai aprender, simplesmente ela quer aprender mais e mais. Se ela vai ter tempo para usar o que está aprendendo ou vai aprender, não faz parte do seu pensamento. Viver para ela é uma coisa muito simples. Ela pensa, amanhã eu faço de novo. Nunca diz, amanhã eu tento de novo, ou diz, será que isso vai dar certo amanhã?
O dia para uma criança, não tem o limite de oito ou vinte e quatro horas. Para uma criança o tempo cronológico não existe. Para uma criança o ano todo é igual a um dia. Noite e dia é a mesma coisa. A diferença é que uma parte é clara e tem sol e a outra não. Apenas o tempo psicológico faz parte de sua vida. E tempo psicológico não trabalha dentro dos ponteiros de um relógio. O tempo psicológico é toda sua vida naquele único minuto ou instante.


Ana Carolina da S. Domingos
Psicóloga - CRP: 06/78337
anacarolina_domingos@hotmail.com

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