A expectativa do inesperado
Existem situações que causam em nós uma considerável expectativa que traz consigo alterações corporais e afetivas.
Fisicamente, podemos começar a suar, nos sentimos inquietos, a boca seca, o coração se acelera ou aperta, o estômago reclama, entre tantas outras possibilidades que variam entre cada um.
Subjetivamente, sentimos uma indefinição quanto ao que se passa conosco, sentimos medo, mas não se pode apontar especificamente uma situação objetiva que nos amedronta, nossas memórias e emoções influenciam a experiência e antecipamos algo que não se configura com clareza dentro do contexto.
Podemos dizer, então, que percebemos sinais de uma ativação emocional muitas vezes associada a comportamentos de evitação ou conservação.
Quando estas características se manifestam, geralmente, podemos dizer que estamos ansiosos.
A vivência da ansiedade nos acompanha desde os tempos mais remotos, quando os medos e receios tinham função essencial em nossa sobrevivência e nosso organismo valorizava os meios que possuía para nos manter em alerta contra os muitos perigos que enfrentava nos primórdios da humanidade.
Contudo, os tempos mudaram, mas nosso corpo não mudou tão rapidamente quanto nosso estilo de vida e muitas vezes ainda sofremos com este afluxo de energia que gera uma excitação difícil de direcionar, pois atualmente os perigos não se apresentam mais tão obviamente.
Com isso, sofremos com esta percepção e o desamparo que sentimos em relação a ela.
Os transtornos de ansiedade se manifestam nas fobias, nas crises de pânico, no transtorno obsessivo-compulsivo (toc), nos transtornos de estresse pós-traumático e agudo, entre outros casos onde a intervenção medicamentosa pode ser muito bem-vinda.
Entretanto, a ansiedade também possui funções adaptativas até hoje, alertando-nos contra lesões corporais, dor, punições ou frustrações, ou seja, buscando manter nossa integridade.
Um exemplo da ansiedade nos auxiliando é quando ela nos leva a uma melhor preparação frente aos desafios, nos leva a desviar de uma bola vindo em nossa direção, nos leva a andar silenciosamente perto de alguém que dorme tentando evitar a punição.
É essencial sempre nos mantermos atentos a nós mesmos e a ansiedade, que possui como uma de suas características principais o fato de se manifestar tanto em nosso corpo quanto em nossa mente, mostra a importante conexão entre os dois e a forte influência de um sobre o outro.
Através deste fator, por si só, podemos notar o quanto é interessante para nossa saúde estarmos alertas a este sentimento e quando este começa incomodar a ponto de interferir em nosso dia-a-dia para, então, podermos aproveitar esta experiência e refletirmos melhor sobre o que está acontecendo.
Os sinais que recebemos de nosso corpo e mente precisam ser reconhecidos e validados.
Nosso cotidiano sempre tão apressado, cheio de afazeres e informações, centrados na recepção de bens e mensagens, acabam por distrair-nos daquilo que nos faz ser quem somos.
E nosso organismo utiliza, muitas vezes, meios para chamar nossa atenção, meios estes, que preferimos lutar contra ao invés de oferecer-lhes um olhar atencioso.
Mayara Nascimento, Psicóloga
CRP: 06/76437
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