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A Mulher e a Depressão

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A depressão é uma doença decorrente de conflitos internos e de alterações bioquímicas, apresentando manifestações psicológicas, orgânicas e sociais. Frequentemente, está associada a outras doenças e à mortalidade prematura. Atinge pessoas de qualquer idade, sexo, etnia, condição social, econômica e cultural.

A OMS apoiou estudos recentes em 18 países e constatou que a depressão é um problema grave e preocupante. Os pesquisadores da USP que entrevistaram 5.037 pessoas da cidade de São Paulo, como parte deste estudo, encontraram 10,4% com depressão. Evidenciou-se também que a depressão é duas vezes maior nas mulheres do que nos homens.

Na depressão moderada e grave há intensificação e persistência dos sintomas. A pessoa tem pensamentos negativos achando-se um fracasso ou apresenta altas expectativas, com julgamentos e conclusões equivocadas a respeito de si mesma e dos acontecimentos. Apega-se a uma ideia e defende esta posição frente a qualquer argumento.

Sua visão distorcida da realidade reforça seu estado negativista, culpabilizando-se por coisas absurdas, formando um ciclo vicioso, difícil de ser interrompido. Ocupando sua mente com estas ideias, tem dificuldade de se concentrar e resolver coisas simples e objetivas. Insegura, tem dificuldade de tomar decisões. Está sempre fadigada, sem energia, com dificuldade para dar conta de suas responsabilidades diárias, irritando-se facilmente. Apresenta lentidão geral. Seu sono sofre alterações, tem dificuldade para adormecer e acorda muito cedo sem conseguir dormir novamente ou dorme muito e acorda com a sensação de que precisa dormir mais. Seu apetite também fica alterado, para mais ou para menos, interferindo com seu peso e aparência física. Diminui seu interesse sexual. Chora facilmente e sua tristeza parece que nunca vai acabar. Retrai-se socialmente e diminui sua produtividade (na escola, no trabalho, em casa) com visível desinteresse por atividades recreativas e de lazer. Nos casos mais graves, podem estar associados delírios e alucinações, e o sentimento de desesperança pode tomar dimensões perigosas, despertando ideias e atos suicidas.

Um transtorno depressivo atinge a pessoa e seu entorno. Interfere com sua qualidade de vida provocando uma série de incapacidades. Seus sentimentos e pensamentos são difíceis de serem tolerados, causando enorme desconforto. Não tendo ideia do que está acontecendo consigo, tenta encontrar explicações e justificativas. Procura médicos e tratamentos que, frequentemente, não solucionam seu mal-estar.

A depressão pode e deve ser tratada com altos índices de melhora e reversão. Os tratamentos especializados com medicamentos e terapias psicológicas são recomendados e muito eficazes. Além disso, a pessoa pode oferecer resistência à depressão promovendo mudanças em seu cotidiano, cuidando da sua alimentação adequadamente, mantendo-se ocupada, realizando atividades manuais, fazendo parte de grupos esportivos, recreativos, de voluntariado, de organizações relativas a sua profissão. As realizações, por menores que sejam, dão prazer e podem agir como poderosos estimulantes da autoestima. Evite bebidas, drogas, isolamento e muitas horas na televisão ou no computador.


Profª Drª Antonia Regina F Furegato
Departamento de Enfermagem Psiquiátrica e Ciências Humanas da EERP/USP / furegato@eerp.usp.br

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