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A prática do amor

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Cleonice foi abraçada por dezenas de bracinhos carinhosos, as crianças riam enquanto pulavam e mostravam seus desenhos coloridos, ela foi organizando para que fizessem fila, entraram no refeitório após entregarem um a um os desenhos, e serem beijados por ela recebendo palavras de incentivo, logo “bateu” aquele cheirinho de café com leite e bolachas, todos gritaram juntos, era uma alegria contagiante, depois foram para o pátio brincar.

Cleonice era voluntária em uma creche, sentia-se um pouco mãe daquelas crianças, sempre que estava desanimada, sem que falasse nada, ganhava um belo desenho com palavras amorosas, como era bom trabalhar ali, ver aquelas crianças crescendo, encontrar um adolescente que havia sido seu aluno.
Certa vez, ela foi convidada para madrinha de formatura de um menino que havia sido seu aluno, foi muito emocionante, ele a abraçou no meio da festa e falou: - Tia Cléo, obrigada por tudo, foi somente por suas palavras de incentivo que acreditei que um dia poderia ser um advogado!

Aquele amor sincero, puro e verdadeiro enchia a vida de Cleonice de alegria, seus filhos, criaturas encantadoras, haviam saído de casa para estudar, e hoje, já formados, tinham cada qual a sua vida, um já não morava no Brasil, e o outro também era muito ocupado, se encontravam sim, e esses encontros eram maravilhosos motivos de festa, mas o dia a dia cada um organizava o seu.
Cleonice era viúva, e via as amigas reclamando da vida, de solidão, mas com ela era diferente, ela procurava o afeto do qual necessitava, doando seu tempo disponível as crianças da creche, aulas de patchwork, cinema, etc.

Assim pode ser a vida de todos nós, não há sequer um único ser que se sinta solitário que não possa buscar e conseguir companhia, amizade, carinho, trocas positivas.
O segredo é não esperarmos das pessoas algo que elas talvez não possam nos oferecer, não por má vontade, maldade, ingratidão, a vida é assim mesmo, chega um momento em que cada um tem seus afazeres, sua vida para tocar, suas escolhas, suas necessidades, e aí é chegado o momento de recomeçar, iniciando algo novo em nossas vidas, e a melhor forma de ganhar amor, é distribuindo amor.
Quantos são os locais que necessitam de voluntários, creches, orfanatos, asilos, projetos como contadores e ouvidores de estórias, costuras voluntárias para confecção de enxovalzinho de bebê, quantos cursos legais onde podemos fazer novos amigos, conhecer pessoas, bons livros, mil projetos para começar...tem tanta gente precisando do nosso amor!!!!

E o melhor, quando doamos amor, recebemos em dobro, porque a sensação de fazer o bem é a real felicidade.
Então, se você estiver se sentindo solitário, como quem foi esquecido pela vida, comece agora mesmo, procure projetos voluntários, procure um lugar onde possa interagir com pessoas, dê o melhor de si, e tenha certeza que em poucos dias tudo o que você estava sentindo se traduzirá em uma mudança radical em sua vida.

Quando abandonamos a postura de nos fazer de vitimas e passamos a olhar quem está a nossa volta, agimos com generosidade, sentimento que nos fortalece, alimenta nosso espírito, engrandece nossos dias, como um sol maravilhoso que volta a aquecer as asas daquele pássaro que sempre esteve pronto para voar, mas por algum motivo que não vale a pena ficar recordando, deu espaço ao lado sombrio de uma floresta esquecida, e resolveu fechar seu coração.
Acorde para a vida, nós seres humanos necessitamos uns dos outros, e não existe nada melhor do que amar e ser amado.
Boa sorte em seus novos projetos, até a próxima!


Maria Cecília Sanches Bellini Santoro
Psicóloga - CRP 06/40825-8
cicasantoro@ig.com.br

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