Adolescência
Os valores e as tradições educacionais estão em contínuo processo de transformação, pois a sociedade é dinâmica. Não se pode mais acreditar numa única solução que atenda todas as demandas educacionais que existem hoje em dia. Os pais têm que se adaptar ao movimento da sociedade, buscando encontrar caminhos que preparem suas crianças para o futuro.
Para isso, tem-se que enfrentar a polêmica e encarar as possibilidades de caminhos que podem variar desde conservadores, reacionários, até revolucionários.
Não importa o quão tradicional seja a educação que se pretende dar aos filhos, não há como ignorar os processos de formação da personalidade individual, bem como os mecanismos afetivos.
Destacar apenas o comportamento observável da criança ou adolescente acarretará num sério problema de comunicação entre pais e filhos, o qual pode levar a drásticas surpresas.
O comportamento não é controlado apenas por suas conseqüências, então o uso de recompensas e de punições para induzir ao comportamento desejado, pode levar ao estabelecimento de relações de troca, quando deveria haver uma relação de afeto e confiança.
Os pais de todo mundo lançam mão dessa idéia e passam a reforçar o estímulo à Educação criando várias formas de punição e de recompensa, com a intenção de obter o “bom” comportamento dos filhos, ou seja, um comportamento condicionado, obediente e fácil de lidar.
Isso ocorre até hoje dentro de famílias modernas e estabelecimentos de ensino, não levam em conta o processo interno do sujeito, de grande valor na formação da personalidade.
Contudo, mesmo não questionando a importância de impor limites ao comportamento, um controle autoritário desse ignora a individualidade do sujeito e a possibilidade de diferentes respostas a um mesmo estímulo.
Entretanto, como é uma técnica de fácil execução e que muitas vezes proporciona rápidos resultados, ou pelo menos resultados aparentes, se torna uma grande tentação para o educador. Porém, a mesma estabelece uma relação autoritária, não recíproca e que, se não receber outras formas de comprometimento, torna-se hostil, principalmente na adolescência.
O respeito aos pais é construído na sinceridade, sem que seja forjado pelo medo.
Gravidez precoce, abandono dos estudos, uso de drogas, prostituição, violência, brigas, pequenos crimes entre outros, são preocupações constantes dos pais e suas maiores dúvidas estão relacionadas a saber como conduzir os filhos por um caminho no qual esses males não estejam presentes: protegê-los e prepará-los para o enfrentamento.
Como explicar sem manipular, como afastar sem coibir a liberdade? Ou seja, como impor limites, informar, esclarecer, cuidar, aceitar os riscos e amar, tudo na medida certa, medida essa que é totalmente desconhecida pelos pais e filhos.
Entre os 11 e 12 anos, a puberdade está latente, é comum, nessa fase, aparecerem distúrbios motores, afetivos, biológicos, advindos desse novo contexto sócio-afetivo. Até os 11 anos, as noções de grupo, comunidade, ligações afetivas são baseadas em coisas bem concretas (família, turma da escola, turma da rua etc.), após essa idade, a criança passa a possuir novos parâmetros (que só vão se ampliando) de relacionamentos, e a identificação do grupo ao qual ela pertence se transforma.
Para optar entre esses novos parâmetros (que envolvem postura profissional, sexual, ética, empreendedora e tudo mais), os jovens levam em consideração tudo o que os cerca, passam a perceber e separar o que mais parece lhes satisfazer e então pesam prós e contras, levando em conta não apenas a vontade própria, como também a opinião dos pais, a qual tem valor afetivo fundamental.
Mas nem sempre a decisão final dos filhos agrada os pais, o que, comumente, gera nos pais o sentimento de querer impedir o crescimento dos filhos no intuito de protegê-los e, ao mesmo tempo, ver desenvoltas suas aptidões individuais e personalidade.
Entretanto, muitas vezes se observa o comportamento esquivo em adolescentes, como querer dormir demais, ser muito tímido, não ter ânimo para sair de casa ou fazer as coisas, comer absurdamente, ficar o tempo todo jogando em frente ao computador, experimentar drogas, ficar horas em frente à TV etc., esses são, na realidade, comportamentos de fuga daquilo que os aflige, da mesma forma que muitos pais enchem seus filhos com “gordas” mesadas, cedem-lhe às vontades ou os matriculam em várias tarefas extracurriculares. São comportamentos que também fogem da tentativa de comunicação entre as partes.
Pais e adolescentes sofrem com as mudanças que ocorrem ao longo do desenvolvimento humano (dos 11 ou 12 anos até os 17 ou 18 anos), a tarefa de educar não é fácil, mas, por ser um período de grandes mudanças, o mesmo se torna muito fértil e criativo, então, o melhor é enfrentarem os problemas juntos, encararem as dificuldades e respeitarem um o outro através de comunicação adequada, sem medos e julgamentos, apenas com honestas tentativas de ajuda recíproca.
Drª Ana Carolina da S. Domingos
Psicóloga - CRP - 06/78337
anacarolina_domingos@hotmail.com
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