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Amor e Sexo O amor baseado nas aparências

Hoje em dia as pessoas têm preferido a imagem, a cópia, a representação e a aparência ao ser. Vivemos numa sociedade de espetáculos.
O espetáculo não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre pessoas medida sempre por imagens. E como não levantar questões perante essas atitudes, quando as relações entre os sexos são reorientadas em função da aparência?
A mulher atual, produto desta cultura, deseja ser mais magra e ter características modeladas pela famosa da vez. Mas essa nova mulher quer amar mais e melhor.
De uns tempos para cá o corpo se tornou fonte de interrogações, transformando-se em tema de investigações científicas e tecnológicas. Se o nariz é grande, diminua-o. Se o queixo é muito para traz, avance-o. Se a menina tem tendência a uma estrutura baixa, suspenda sua primeira menstruação, para ela, talvez, ganhar alguns centímetros. Se os seios são pequenos, coloque silicone... Dentre outras possibilidades.
Existem também os esforços para apagar as marcas do envelhecimento. Afinal envelhecer tornou-se sinônimo de descuido. Todos esses recursos estão aí para evitar suportar ou elaborar os conflitos, as insatisfações. Enfim, o corpo virou campo de batalhas para as mulheres.
As imagens de corpos sublimes difundidas pela mídia têm a capacidade de gerar dúvidas e causar complexos em muitas mulheres em relação ao próprio corpo. A pretensa onipotência dessas imagens faz com que uma grande parte delas mantenha-se satisfeita e ansiosa por grande parte do tempo. Em meio às frustrações muitas sentem correr o risco de perder o erotismo, talvez para sempre.
Há também um fator de desigualdade que funciona como agravante dessa situação. Enquanto para as mulheres o fator beleza não está em primeiro plano na busca de um companheiro, para os homens a recíproca não é verdadeira. Eles esperam, sim, encontrar a beleza no sexo oposto. Embora nem sempre apenas isso. Mas que homem nunca sonhou ser visto circulando ao lado de uma mulher bonita?
Funcionando como um troféu, a beleza feminina realça o valor e a posição dos homens. Como se a partir dessa referência ele se tornasse mais competente e viril. É freqüente vermos homens da terceira idade com mulheres muito mais jovens que eles. A condição oposta, de uma mulher mais velha ao lado de um homem jovem, ainda é excepcional e continua sendo mal aceita socialmente.
Quando falamos a respeito do relacionamento entre homens e mulheres, sempre há muito a ser dito e, principalmente, a ser ponderado. Mas talvez a principal lição que podemos aprender a partir dos desencontros de desejos sustentados unicamente pela aparência externa seja que, sobretudo nós terapeutas, precisamos tentar propiciar, com base na reflexão estimulada em nossos consultórios, a certeza de que “o amor precisa ser reinventado”.

Alessandra Dias Ricci Manganaro
Psicóloga - CRP 06/ 51381
email: aledricci@terra.com.br

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