Relacionamentos Duradouros
Uma das causas eminentes e freqüentemente vista nos dias de hoje norteia a inexperiência devida à juventude e a imaturidade do casal, que provoca surpresas desagradáveis no curso de sua vida em comum, principalmente quando saem da casa dos pais e deparam-se diretamente com a vida conjugal.
As duas pessoas percebem que têm personalidades diferentes, divergências de interesses e de opiniões e os desejos de cada um crescem de modo distinto e em direções opostas. Para evitar atritos, há necessidade de desenvolver certo grau de inteligência emocional e vontade para fazer com que uma relação seja sustentada por atos de ambas as partes, afinal, muitos confundem que ao se tratar de emoções, o amor deve caminhar por si só, de forma espontânea.
Esta premissa, nada mais é do que um grande equívoco. Outro fator também importante é o fato de as pessoas se casarem por motivos socialmente impostos pela cultura vigente.
Casam-se simplesmente porque é assim que se espera que aconteça em determinada fase da vida e acabam iludidas por um conformismo e apego patológico que nos dá uma idéia previamente estabelecida de uma união instável, pouco feliz e sem grandes e significativos ideais a serem alcançados.
As obrigações criadas pela promessa de viver juntos na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, até que a morte os separe gera uma certa ansiedade a qual só se pode enfrentar com um bom equilíbrio psicoafetivo.
Com o passar do tempo, o período de encantamento diminui ou até mesmo passa, emergindo outro aspecto da relação que nem todos estão preparados para encarar juntos. Isto normalmente ocorre, porque ninguém pode deixar de levar para o casamento os próprios problemas e limitações.
Pelo contrário, existe uma grande probabilidade de que as dificuldades pessoais se multipliquem em vez de desaparecerem, uma vez que cada um tem sua carga de problema somada à do companheiro(a).
Entramos então em um patamar desconhecido, onde é necessário aproximar a imagem idealizada para a imagem real de cada um. Só assim é possível estabelecer as verdadeiras necessidades e também, aquilo que temos e queremos oferecer ao outro. Rancores, incompreensões, repreensões, lamentos, incompatibilidades, dificuldades que vêm à tona simultaneamente e, se não administradas, tornam a vida a dois pesada e amarga.
Em algum momento o questionamento “quanto ele(a) mudou?” alimenta uma ilusão de que o outro se transformou em outra pessoa, a qual você literalmente não reconhece mas, o que acontece é que no sentido natural da vida, as pessoas amadurecem, mudam e mudam-se suas exigências, seus pontos de vista, opiniões, sem que haja uma mudança correspondente no outro.
Somente a partir da convicção de que a maioria dos erros remete a ambos, é que podemos rever os fatos e evitar cicatrizes desagradáveis. Contudo, a "relação ideal" com que muitas vezes sonhamos não existe.
Existem por outro lado, muitas relações que funcionam bem.
E dentre esses fatores podemos destacar: a continuidade de presença, mesmo que haja necessidade de estar mais ausente do que presente.
Existem formas diferenciadas de estar a postos: possibilidade sempre aberta a uma boa conversa, o que não significa trocar informações, mas expressar pensamentos, sentimentos e emoções; saber ouvir a voz do outro; saber ler a expressão do rosto, dos gestos ou subentendidos do outro; contato afetivo; saber colocar-se no lugar do outro; respeito à individualidade e à autonomia do outro; viver com criatividade, fazendo com que o presente não seja uma repetição obrigatória do passado; reciprocidade, cumplicidade, entre outros.
Atualmente, vivemos um momento que nos permite atravessar uma "experimentação do casal" antes de casar-se de fato.
E começar uma vida matrimonial não significa ter de percorrer um caminho já traçado pela tradição, mas percorrer uma busca de equilíbrio e novas maneiras de ser.
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