Ano Novo
Acabamos de passar pelas festas de Natal e Réveillon. Nesta época costumamos fazer uma revisão do que se passou ao longo do ano anterior, mas nem sempre nos sentimos satisfeitos com os resultados dessa revisão.
A pergunta é:
- O que podemos fazer pra mudar essa sensação? Rever nossa “lista” de afazeres para o novo ano? Isso é o suficiente? Pensando a respeito do sentido das coisas de modo geral, qual o significado de tudo que acontece ao nosso redor, os relacionamentos, os ganhos e as perdas?
Atualmente há uma corrida em direção ao ter e acabamos deixando para segundo plano o ser. E é no “ser” que reside o sentido, os significados. Vivemos dias em que um presente não possui mais o valor de um “presente”, porque nem sempre nos disponibilizamos a olhar para alguém e investir um pouco do nosso tempo analisando o que aquela pessoa gostaria de ganhar.
O caminho mais fácil é perguntar o que ela quer ou dar um vale presente de forma que ela mesma possa fazer a compra. Com isso ganhamos tempo e a garantia da satisfação do presenteado.
Mas será isso mesmo? Escolher o nosso “presente” é o que queremos? Ou será que estamos todos esperando ser surpreendidos?
As datas especiais são comemoradas no dia mais oportuno sem necessariamente ser a data específica. Um exemplo, as festas juninas são muitas vezes estendidas até o mês de julho. Então onde está o sentido da festa junina acontecer em julho? Isso tem ocorrido em diversas situações; há uma busca desesperada por algo que não se sabe o que é.
Talvez falte o sentido o qual pode ser encontrado nas pequenas coisas. Muitas pessoas falam da falta de romantismo nos dias atuais. Algumas chegam a afirmar que a vida era melhor no passado. Uma maneira de pensar é que a vida era diferente, que passamos hoje por um processo de melhoria que poderia ser comparado a uma reforma. Quando iniciamos a reforma em uma casa tudo a princípio transforma-se numa total desordem. Mas ao final nos sentimos recompensados pela melhoria que ocorreu. Algo semelhante acontece hoje. Pode-se dizer que estamos numa grande reforma aonde muitos conhecimentos nos chegam de um modo muito rápido. Tudo é muito ágil a começar pela comunicação.
Deste modo também somos cobrados em nossa agilidade. Mas todo esse ganho tem um preço, afinal tudo envolveu uma escolha, e uma escolha envolve deixar de lado uma das alternativas possíveis. Nesse processo parece estarmos deixando de lado os significados importantes para nós.
O que fazer então para encontrarmos novamente o sentido das coisas? Em outras oportunidades falou-se sobre o olhar e sobre escolhas. Nosso olhar está sempre revestido por uma lente às vezes imperceptível e somos livres para escolher qual lente usar. O importante é que precisamos nos conhecer para identificarmos o que realmente queremos sentir. E sermos capazes de escolher a lente que queremos usar
Zigmund Bauman, sociólogo e escritor, fala sobre a liquidez das relações, que são desfeitas com a mesma rapidez com que estabelecemos novos contatos.
O momento hoje solicita de nós agilidade, então a “prisão” de um compromisso pode dificultar isso. Mas somos seres que se relacionam e nos tornamos nós mesmos quando nos relacionamos. Sendo assim, essa falta de compromisso pode prejudicar esse processo de nos conhecermos porque não nos permite o envolver-se, o sentir. Envolver-se nos relacionamentos olhando mais atentamente para quem nos cerca permite encontrarmos mais sentido nas coisas. E isso pode ser uma “surpresa” agradável.
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