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As Diferentes Fases Vitais da Família

A família é o espaço mais íntimo da existência humana. É na família que se dá a origem da história de cada um dos indivíduos que a compõem. É também onde os indivíduos experimentam afetos, descobrem a subjetividade da sexualidade, a importância da vida em grupo, o nascimento, o crescimento, a morte, encontram a formação da identidade individual etc.
Portanto, a família é a base, o espaço mais vivido pelo indivíduo, que dá suporte para sua formação e para sua vida futura. A família é o lugar onde as pessoas podem ser autênticas e mostrarem quem realmente são, sem reservas; é na família que seus membros buscam se recompor das humilhações do mundo externo.
“O mundo da rua é o mundo da ‘luta pela vida’ e o da casa é o do reconhecimento das pessoas”. Todo indivíduo, seja casado ou não, tenha ou não filhos, inserido, pois, em uma família nuclear atual ou em uma linhagem não oficializada, possui uma família de origem, que é o lugar onde se concebe os filhos, os quais futuramente formarão outras famílias.
Toda família tem sua história, uma difere da outra ou possui pontos em comum, tem seu ciclo de vida próprio e sua atuação vai além do núcleo familiar. Nela que se estabelecem as relações entre seus membros, suas habilidades e competências. É através dela, como grupo social, que se estabelece também as relações com a sociedade na qual se insere.
A família reflete as mudanças que ocorrem na sociedade, mas também atua sobre ela. É isso que torna a família um centro importante da vida social.
Ela representa o espaço privado da intimidade da casa, em constante relação com o espaço público, da exterioridade, do mundo da rua.
Pensando que cada sociedade tem seus valores, costumes e padrões culturais próprios e, como consequência, criam-se várias formas de família, onde cada qual tem suas peculiaridades quanto à educação e à criação dos filhos, quanto à visão de mundo em relação ao matrimônio, assim como quanto aos papéis inerentes a cada membro familiar, enfocarei os papéis que serão explicados do ponto de vista de algumas correntes teóricas. Segundo a teoria psicanalítica, ao papel materno cabe a representação simbólica do corpo feminino: nutrição, proteção da prole, acolhimento das angústias existenciais dos filhos. Ao paterno cabe, além dos simbólicos, da anatomia e fisiologia sexual, interpor-se entre a mãe e o filho para finalizar segundo a renúncia da posse da mãe e dar curso ao seu processo de individuação.
O papel conjugal pressupõe a interdependência dos participantes do casal e sua essência radica-se no postulado, e a sobrevivência dos indivíduos que o constituem é facilitada pelo mencionado compartilhar de tarefas no mútuo preenchimento dos desejos e necessidades de cada um, ou seja, cooperação, competição, simbiose, complementariedade, reciprocidade são alguns dos termos que delimitam o papel conjugal, que não abarca, portanto, as atribuições decorrentes da função reprodutora, que pertencem a esfera do papel parental.
O papel fraterno varia entre a rivalidade e a solidariedade e pode estender-se além da relação familiar.
O papel filial concentra-se numa relação de dependência com os genitores, onde se ligam principalmente com os recém-nascidos e os cuidados despendidos com os mesmos.
No papel parental diferencia-se o papel materno do paterno (citado acima) pois, cada vez mais atribuições do outro se confundem com o cotidiano.
Um mesmo membro da família pode assumir papéis diferentes no contexto familiar, como forma organizacional de manutenção do equilíbrio familiar.
A família tem também algumas funções:
Biológica: Prioriza a sobrevivência do recém-nascido através dos cuidados dispensados para o mesmo.
Psíquica: A família é responsável pelo alimento afetivo à sobrevivência emocional dos recém-nascidos, além de ser responsável pela necessidade que a família tem deste alimento, para o equilíbrio psíquico dos demais componentes da mesma.
Psicológica: Está ligada à esfera pedagógica, ou seja, propiciar um ambiente adequado para a aprendizagem, que busca a melhor construção do processo cognitivo humano.
Essas funções possuem “enfoque linear”, pois considera-se que a dinâmica familiar está centrada naqueles que exercem papéis parentais.
Agora, mudando para o enfoque circular que é o que o terapeuta familiar sistêmico busca como objetivo, a interação e compreensão entre seus membros, onde a atitude de cada um interfere e modifica o comportamento do outro, afinal, não trata-se de uma relação de causa e efeito e sim de entendimento.

Alessandra Dias Ricci Manganaro
Psicóloga/ Terapeuta de Casal e Família/ Terapeuta Sexual.
aledricci@terra.com.br - CRP. 06/ 51381-9

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