As questões de gênero
A mulher está imbuída de um grande desafio de gênero que é a luta pela justiça e pela redução das desigualdades sociais, encurtando assim a distância entre as conquistas legais e a realidade.
As pessoas nascem bebês machos e fêmeas e são criadas e educadas conforme o que a sociedade define como próprio de homem ou de mulher.
Os adultos educam as crianças marcando diferenças bastante concretas entre meninos e meninas. A educação diferenciada dá bola e carrinho para os meninos e boneca e fogãozinho para as meninas, exige formas diferentes de vestir e contar estórias, nas quais os papéis dos personagens homens e mulheres são sempre diferentes.
Educados assim, meninas e meninos adquirem características consideradas femininas e masculinas.
As crianças são levadas a se identificarem com modelos do que é feminino e do que é masculino para melhor desempenharem seus papéis correspondentes.
Utiliza-se a expressão “identidade de gênero” para deixar claro que as desigualdades entre homens e mulheres são construídas pela sociedade e não determinadas pela diferença biológica entre os sexos.
São uma construção social e compreendê-la não significa desconsiderar que a mesma se dá em corpos sexuados.
Compreendemos que há uma estreita implicação entre o social e o biológico. Gênero também tem uma dimensão e uma expressão biológica. Assim, as mulheres e homens imprimem no corpo gestos, posturas, disposições e relações de poder vividos a partir das relações de gênero, que são relações socialmente construídas entre o gênero feminino e o masculino, baseadas numa normalização de como deve ser a conduta das mulheres e a dos homens.
A incorporação dos modelos femininos e masculinos que homens e mulheres se atribuem e a eles são atribuídos, estabelece a divisão sexual do trabalho, delegando papéis no mundo público, referentes à cultura e à produção e no mundo privado, referentes à natureza e à produção.
O modo de produção vivido pelo homem, o tipo de sistema adotado em seu meio, seja capitalista ou socialista, interfere no modo de agir e no comportamento perante a sociedade.
A natureza como um processo inquestionável, com determinação biológica na formação do homem e da mulher, determina os sexos e a reprodução, delegando a cada um, macho ou fêmea, seu papel a ser executado.
Esse contexto coloca claramente o ser mulher e o ser homem numa construção social, a partir do que é estabelecido como masculino e feminino e dos papéis sociais destinados a cada um.
Por isso, gênero, um termo emprestado da gramática, foi a palavra escolhida para diferenciar a construção social de masculino e feminino de sexo biológico. Ao afirmar a construção social dos gêneros, coloca-se que as identidades e papéis não são somente um fator biológico, vindo da natureza, mas algo construído historicamente e que portanto pode ser modificado.
Nas últimas décadas as relações entre os sexos estão mais flexíveis e não tão sujeitas às regras nítidas. Estão voltadas a atender os desejos e necessidades de cada um. Assim, percebe-se novos modelos e uma liberdade maior na escolha para o casamento e para a questão da sexualidade.
Observa-se que hoje o casamento é pautado por relações individualistas, nas quais cada qual tem como preocupação a satisfação de suas necessidades pessoais em diversos aspectos: sexual, emocional, afetivo, profissional, o que compromete a relação e a reciprocidade entre os parceiros.
Os papéis do homem e da mulher sofrem profundas mudanças; isto porque a mulher conquistou um espaço na sociedade e como consequência, o mercado de trabalho está mais receptivo para ela.
Tanto o governo, quanto as empresas e os movimentos sociais de uma forma geral apostam mais em sua capacidade de luta e de autonomia. Os movimentos feministas contribuíram de forma acentuada para elevar a auto-estima da mulher, bem como proporcionaram condição para o resgate de sua cidadania.
Alessandra Dias Ricci Manganaro
Psicóloga - CRP 06/ 51381
e-mail: aledricci@terra.com.br
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