Estilo e etiqueta para ser chique
“Estar sempre na moda pode querer dizer não ter estilo nenhum”, é o que afirmou a consultora de moda Glória Kalil em palestra sobre estilo, moda e comportamento realizada em Ribeirão Preto no dia 30 do mês de novembro.
Defensora do estilo próprio como expressão da identidade, Glória diz que as “tribos urbanas” acabaram com o padrão único de beleza. “Cada um se veste de acordo com seus valores e sua tribo. Ou pelo menos deveria ser assim”, disse.
Diferente dos anos 50, quando a moda era ditatorial e expressava a classe social, a inspiração dos estilistas, hoje, vem dessas tribos. “A abertura das tribos traz informações interessantes. Essa atual 'moda de tribo' reconhece as pessoas pela roupa e, por esse motivo, não há mais um critério a ser seguido: a moda está, portanto, para ser escolhida ou recusada. Nunca a moda favoreceu tanto ter estilo”, afirma.
Muito mais democrática e individual, a moda tornou-se uma representação cultural e oferece diversos elementos para que as pessoas se expressem. “Com a globalização, o medo de que tudo ficasse igual foi tão grande que as pessoas começaram a se manifestar. E o resultado disso é a multiplicidade da moda”, afirma.
Autora dos livros “Chic”, “Chic Homem” e “[Chic]érrimo - Moda e etiqueta em novo regime”, Glória, referência no mundo da moda no cenário brasileiro, volta os olhos ao comportamento humano em seu último livro e defende o “melhor do visual com o melhor do conteúdo”.
Ela afirma que a exploração da imagem é tão excessiva que o comportamento do cotidiano é deixado de lado. “Já há informações suficientes sobre moda. Precisamos agora é olhar para o outro”, diz.
Etiqueta, segundo Glória, é a nova ética do cotidiano. A vida, principalmente em grandes cidades, tornou as pessoas mais individualistas: as famílias não realizam mais as refeições juntas, por exemplo, e falta a transmissão de valores dos pais aos filhos. “Muitos jovens hoje não sabem se portar. Atrás da pergunta 'mãe, o que é o acontecimento? Como vou me vestir?', existe um desconhecimento que vai além do guarda-roupa”, afirma. “Os pais não transmitem este tipo de educação, não há mais aulas de convivência nas escolas. Entretanto, o estilo e a elegância contam no mundo adulto e profissional e é necessário haver um comportamento igualmente bonito”, explica.
Mulheres, homens e empresas de todo o País procuram a consultora para aprenderem a ser chiques. “Sempre digo a eles para saírem do narcisismo e se preocuparem com os seus relacionamentos. Aí sim serão chiques”, finaliza.
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