Lírio do amor
Muitas pessoas com as quais tenho conversado ultimamente, tem questionado a respeito da inversão de valores que vivemos hoje em dia, onde parece que certo é ser “errado”.
É muito triste mesmo voltar para casa a tardinha e ver quantas crianças ainda pedem nas esquinas, nos semáforos, e independentemente do julgamento de valores de cada um, se os pais exploram esses pequenos, se devemos ou não dar esmolas, se futuramente nos agredirão roubando e matando, se esse é um problema apenas do governo, ou se temos nossa parcela, o fato é: é muito triste essa realidade e tantas outras, como o analfabetismo que ainda existe em nosso país e no resto do mundo, a falta de acesso dessas pessoas ao básico e o que incomoda não é quem tem muito, mas quem não tem nada...pensando à respeito, lembrei-me do pântano, certa vez li sobre o lírio-amarelo-do-pântano, uma simpática flor que nasce nos charcos e pântanos de certas regiões da Europa, sim, até mesmo no meio do pântano é possível florir e florir em um tom de amarelo incrível, florir naturalmente, sem necessitar ser semeado, um amarelo que lembra luz, esperança.
Aí vem aquela velha questão, a escolha é sempre nossa e porque não fazermos cada um de nós a nossa parte.
É claro, existem problemas profundos e antigos, problemas sociais de difícil solução, mas tenho certeza que você pode fazer um pouquinho e esse pouquinho valerá muito para quem precisa. Às vezes, um sorriso devolve a paz, pelo menos momentaneamente, de um coração sem esperanças.
Sei que não podemos sair pra rua e recolher todas as crianças necessitadas, dar de comer a todos que tem fome, educar todos os que ainda são ignorantes das letras, das belezas do mundo, às vezes de coisinhas tão singelas...mas você pode trabalhar de voluntário em uma creche e dar amor a tantos coraçõezinhos sofridos, contar estórias, assistir um filminho e comer pipocas com essas crianças, em uma casa para idosos e afagar cabelinhos brancos que já se esqueceram do quanto é bom receber carinho, ouvir suas histórias, ler para eles, costurar roupinhas para recém nascidos enquanto lhes deseja que sejam um dia homens e mulheres de bem, sem precisar julgar, terão gratidão, se esses velhinhos estão no asilo porque seus filhos são criaturas perversas, ou porque foram grandes encrenqueiros a vida toda e acabaram sozinhos, se esses bebezinhos que estão por vir são erros da humanidade, de mães que deveriam nem ter tido o primeiro filho, tamanha pobreza.
Não julgue, não cabe a você, se puder ajude, oriente, é claro que necessitamos de planejamento familiar, de educação, de tantas coisas, mas faça o que estiver ao seu alcance e já será melhor do que nada.
Tire um dia para fazer o bem, se proponha a isso, faça o bem da hora em que acordar até a hora de dormir, sorria para as pessoas, não fale mal de ninguém, não julgue, trate as pessoas bem (incluindo você mesmo), seja paciencioso, olhe para a vida como um caminho de oportunidades e não como uma selva de pedras, ladeada apenas pela dor e sofrimento, mas que tenha lírios.
Não perca tempo pensando em tudo que está errado, tente fazer o contrário, faça o bem, isso fortalecerá sua auto-estima, quem sabe você até se engaja em um trabalho voluntário...é claro, você pode estar pensando e de que isso valerá no meio de tantas coisas erradas, valerá muito, pois já será uma força a mais, a seu favor e a favor de alguém.
Você já imaginou de quantos pequeninos grãos de areia é feita a praia, pois bem, já pensou se todos eles achassem que não faria mal algum se saíssem dali e seguissem outro caminho? Comece logo, floresça, e tenho certeza, você sofrerá o melhor efeito colateral da sua vida, receber o bem por fazer o bem, pode apostar. Quem sabe é esse o vazio que você tanto sente em sua vida? Comece logo, e boa sorte!
Maria Cecília Sanches Bellini Santoro
Psicóloga - CRP 06/40825-8
cicasantoro@ig.com.br
Outros
- Inteligência Emocional
- 2008, com o pé direito e o peso mais magro!
- A Acupuntura e a Odontologia
- A Auto-motivação
- A compreensão
- A criança e a sua vida rica em ensinamentos
- A criança e suas descobertas
- A criatividade e o mercado de trabalho
- A Difilculdade de Aprendizagem na abordagem Fonoaudiológica
- A eficiência da Mulher representa um perigo para ela própria ?
- A equação - Parte I
- A equação - Parte III
- A equação - Parte IV
- A equação - Parte II
- A Esquizofrenia







