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Divida seu tempo, cuide de você mesmo

O shopping estava lotado, Ciro (nome fictício) se preocupou assim que chegou, aquelas filas na praça de alimentação iam atrasá-lo, pegou o celular para avisar a secretária, olhou no relógio, eram 13:20 h, o telefone da empresa estava ocupado, talvez fosse melhor tentar o celular da moça, chegou sua vez de pedir, não havia pensado no que comeria, olhou para operadora de caixa do restaurante escolhido, - por ter a menor fila, e foi aí que tudo parou.

A dor aguda, não sabia como havia ido parar no chão, a visão estava turva, sentia-se enjoado, precisava avisar a empresa, iria atrasar, bem hoje que teria uma importante reunião.

Rostos estranhos o circundavam, ouvia ao longe burburinho, era como se não estivesse ali, como se tivesse vendo e ouvindo tudo do fundo de uma piscina. Muitas coisas passaram por sua cabeça, lembrou-se que naquela manhã seu filho queria contar-lhe algo importante no trajeto para escola, mas pediu que se calasse pois estava ao celular, resolvendo “importantes pepinos”, há alguns dias a esposa comentou que fariam aniversário de casamento e ela gostaria de reunir alguns amigos e familiares, será que já havia passado o dia do casamento?

Seus olhos marejaram, agora já não via mais ninguém, tentou respirar, de repente tudo que lhe interessava eram seus filhos, sua esposa, seus familiares, uns poucos mas fiéis amigos.

Há quanto tempo não saía para passear com seu cachorro, não tirava férias, não viajava, há quanto tempo havia abandonado a academia, não levava os filhos para um cinema, um sorvete, uma praça.

Começou a se desesperar, tudo o que havia deixado para depois parecia não ter mais tempo de se realizar, tentou se acalmar pois ía ficando cada vez mais difícil de respirar, burburinho...seria um pesadelo?

Queria acordar. Em fração de segundos reviu toda sua vida, a infância, o jogo de “taco” na rua com os amigos, queimada, pipa, como era feliz...as histórias de medo contadas a noite no alpendre da casa de um dos meninos da turma, bolo de fubá, se esquecera das coisas simples da vida, o sorriso lindo da primeira professora, o primeiro beijo, a turma da escola, tudo que estava tão longe ficara mais perto.

Queria uma chance de inverter o jogo, de fazer uma viagem com os filhos, para que pudessem conversar e quem sabe achar vaga lumes a noite. Haveria tempo? Quanta coisa faltou conversar, ensinar-lhes, aprender com eles.

Estava em uma maca suspensa, sendo colocado dentro da ambulância, aquele espaço pequeno, estranho, jamais imaginara estar ali, alguém massageava-lhe o peito com muita força, já não sentia mais dor, já não sentia mais nada, a não ser muita vontade de ver sua família, seus amigos, de ir para casa.

Esta história real impressiona, você já parou para pensar se está dividindo corretamente em sua vida o profissional e pessoal?

Se está levando uma vida com qualidade emocional, afetiva, física, ou se está fazendo como Ciro, canalizando toda sua energia apenas para o trabalho?

Hoje em dia, muitas doenças são desencadeadas por fatores emocionais, podem tornar-se físicas, o que fazermos então para evitar que isso aconteça?
Dividir o tempo é a melhor saída, conscientizar-se de que temos de cuidar de nós mesmos antes de cuidar de qualquer outra coisa.

A princípio somos nosso primeiro instrumento de trabalho, de relacionamento, independentemente de profissão, de ser casado, solteiro, somos o principio de tudo em nossas vidas. Ter saúde é fundamental, se relacionar de forma saudável com as pessoas, pois são essas vivências as protagonistas da história de vida de cada um de nós. Aquela velha história, mudar o ritmo em certas fases da vida para não parar de vez!

Três meses haviam se passado, Ciro tomava café na varanda de sua casa, era um domingo, seus filhos ladeavam a mesa, brincavam entre si, riam gostosamente, Ciro olhou para o céu azul com poucas nuvens brancas, em silêncio proferiu sentida prece, agradecendo a Deus pela oportunidade do recomeço.

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