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Mudança de Foco

Todos dispomos de certa quantidade de energia que dedicamos a determinados objetivos. Contudo esta energia migra entre diferentes objetos, atividades ou pessoas. Algumas vezes mesmo conversando com uma pessoa nos pegamos pensando em algo diferente e que pouco ou nada tem a ver com a conversa. Pode acontecer também de um dia acordarmos certos de que queremos e vamos realizar certa atividade e no fim do dia temos outra idéia sobre como ocupar nosso tempo.
A energia que possuímos (e que, às vezes, somos possuídos por ela) é repartida entre as muitas situações do dia-a-dia e com nós mesmos, os cuidados conosco e com aquilo que trazemos dentro de nós. Em alguns momentos podemos nos encontrar totalmente voltados para nossas realizações e projetos, buscando objetivos concretos e claros. Porém, também podemos ter nossos momentos de calma e silêncio, quando preferimos a solidão ou companhias mais íntimas. É verdade que estes movimentos podem se dar dentro de um mesmo dia e é bom que estejamos atentos a eles: a sua intensidade e ao quanto estamos conseguindo nos equilibrar dentro deles.
Durante os períodos em que estamos mais voltados para nós mesmos, muitas vezes sentimos que estamos perdendo tempo ou que algo está errado. Pode ser que nossa intuição esteja certa e que estejamos desenvolvendo algo como uma depressão ou um estado que requeira mais atenção do que sozinhos podemos oferecer. Contudo, especialmente quando perdemos ou nos afastamos de algo de que gostávamos muito, como: perder alguém querido, um emprego, mudar de cidade; é comum que, depois disso, nossas energias se voltem para a elaboração deste novo contexto que se apresenta, pois nossos arredores muitas vezes são pontos de referência de nossa identidade e nos auxiliam a dar significado aos nossos dias. Percebemos, então, que ao perder algo importante, tendemos a reformular aspectos de nossas vidas, porém pode acontecer deste movimento de nossa disposição acontecer sem um estopim facilmente identificável.
Os períodos de transição que nos levam à interiorização podem trazer novas idéias e interesses. Quando nos desprendemos dos referenciais externos e dedicamos um pouco mais de energia aos nossos sonhos e fantasias, podemos trazer até nós algo que ainda não tínhamos percebido lá fora ou dentro de nós mesmos. Nos permitindo mudar um pouco nosso foco, talvez, poderemos descobrir novas possibilidades que não tínhamos visto até então. Muitas vezes, o que acontece conosco quando estamos sozinhos é tão importante quanto o que acontece em nossa interação com nossos semelhantes.
Nossos desejos e necessidades nem sempre estão claros para nós mesmos, por isso tende a ser mais fácil procurá-los fora de nós, onde abundam possibilidades que somos mais estimulados a enxergar e lidar. Entretanto, pode ser através de nosso investimento neste terreno mais difuso, que levamos dentro de nós, que conseguiremos energizar nosso conhecimento e dar uma direção mais clara a nossa energia, elaborando objetivos mais satisfatórios para nós mesmos.
É complexa a determinação das condições responsáveis pela qualidade e intensidade de nossos objetivos e comportamentos. A transformação de nossas necessidades e desejos em objetivos, planos e projetos é realizada de maneiras ainda misteriosas para nós. Nossas vontades e crenças influenciam esta transformação e estas são consideravelmente transitórias, muitas vezes mais do que gostaríamos que fossem, pois quando estas se modificam, muito do que garante nosso conforto e equilíbrio é abalado. Portanto, a atenção àquilo que acontece dentro de nós é importante para que nossa existência seja satisfatória, e é uma tarefa individual.

Mayara Nascimento
Psicóloga - CRP: 06/76437
mayara999@yahoo.com.br

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