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Novos rumos dos descasados

Ficar descasado pode levar um homem ou uma mulher a se deparar com mudanças que eles não tinham planejado ou desejado. O plano inicial era casar-se e ser feliz para sempre o que aconteceu?
O casamento era a garantia inicial, mas só que não existe garantia. Porém, ser descasado não é uma doença contagiosa nem sinônimo de graça eterna. Quando viajamos, estamos sempre olhando para os sinais, placas e, vira e mexe, aparece um “desvio”. A sensação quando descasamos é de que encontramos um eterno desvio em nossa vida. Mas isso só acontece se decidimos estacionar em baixo da placa.
Existem dois desafios básicos para quem fica solteiro de novo. O primeiro é lidar com a perda; o segundo é reconstruir a própria vida.

Entrar no mundo dos descasados é penetrar num espaço novo e de incertezas, é deixar o mundo dos casados paras trás. Então, é preciso se redescobrir, se redefinir. Existem pessoas que se descasam e acreditam que ficam sem identidade. Dia e noite, só pensam em se casar novamente. Mas identidade não vem com uma parceria, não é o outro que define quem eu sou.
Então, a primeira dificuldade é se redescobrir como solteiro e, aos poucos, tomar coragem e tentar se aproximar de alguém. O segundo é o medo da rejeição. Quase ninguém consegue se comportar com educação e delicadeza quando de sente rejeitado. Nós nos machucamos com facilidade e sangramos muito. Pior: o sangue leva tempo para estancar e demoramos para sentir coragem de arriscar outra vez.

Em relação à identidade, se você se pergunta: “Quem sou eu?”, a tendência é responder quem você era, em vez de responder você é. Só que agora é mais importante pensar em quem você é do que em quem você era.
Talvez esta seja a maior descoberta que qualquer um de nós pode fazer. O desafio é o seguinte: conseguir ser o que realmente somos, não alguém que se preocupa apenas em fabricar uma imagem e vendê-la para os outros.
Muitas vezes, a falta de auto percepção, faz as pessoas criarem uma imagem irreal de si mesmas, uma máscara. Aí o problema passa a ser: “Que máscara vou usar hoje? Neste lugar? E com essa pessoa?”. Muitas vezes as máscaras são necessárias e devem ser usadas, mas para os outros e não para si mesmo.

Isso pode nos levar a representar o tempo todo. Você pode tomar chopes, ir a muitas festas, ter muitos rolinhos, mas essencialmente só vale o de fora, não o de dentro. Dessa forma, fica desconectada de si mesma, perde a sensação de quem é. O rosto que você representa ao mundo ultra-sorridente não é sua imagem real. Então se estabelece uma contradição entre a realidade interna e essa imagem para o uso externo. Mas, se cada um não está ligado em si mesmo, nada vale a pena, porque nada vai ter um sabor autêntico, verdadeiro. As pessoas precisam se arriscar a serem elas mesmas para poder encontrar e matar a sua fome de amor.

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