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A energia que impulsiona o aprender


Por muito tempo o ensinar e o aprender esteve estruturado no modelo comportamentalista, onde o professor detinha o poder e o saber, cabendo ao aluno fazer a sua parte.
Obedecendo, ouvindo, copiando, fazendo e refazendo exercícios a fim de memorizar o conteúdo. E funcionava porque os valores eram outros. Toda criança estava compro-metida com uma sociedade que procurava ascensão social através dos estudos, tendo o exemplo ou de seus pais, ou de familiares, ou de ídolos em quem se espelhavam.

Hoje, os valores são outros, as crianças estão sujeitas a exemplos vindos da televisão, que vende a imagem da vida fácil, da venda da imagem do próprio corpo, da competição desleal nos big brothers da vida, enquanto muitos pais
que estudaram, estão desempregados ou mal remunerados.

A família está desestruturada, os pais e professores perdem a admiração e o respeito dos jovens, e os ídolos passam a ser as modelos que ganham fama e fortuna, jogadores de futebol que não estudaram mas enriquecem tendo poder financeiro para comprar carros importados, mansões e ganhando fama tornando-se as celebridades do mundo atual.

Aprendemos algo quando desejamos ou pela força ou pelo hábito. Quando a criança não acredita mais na importância da escola, não dá a ela, nem a seus representantes o devido valor. Hoje, é necessário que redescubra uma nova razão para aprender, novos valores que impulsionem o surgimento do desejo de aprender.

"Energia, necessária ao bom funcionamento cognitivo", segundo Piaget, a afetividade é concebida como intencionalidade, como pulsão de agir e fornece a energia necessária às funções cognitivas.
A atuação da criança frente ao mundo tem um sentido que a motiva. Em cada momento a criança interage com a realidade externa, construindo conhecimento, porém impulsionada por razões de ordem afetiva.
Cabe aos pais e professores recriar este ambiente afetivo, despertando na criança algo que é natural no ser humano: o prazer em conhecer, descobrir como as coisas, o universo, o corpo humano, a natureza e a sociedade funcionam.

Fonte: Débora Mourão Mantovanini
Psicopedagoga, Educadora,
Professora Universitária da Educação e
Metodologia do Ensino e Educação Especial.

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