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Lar Francisco de Assis

Casa de apoio proporciona final humano aos acamados de baixa renda

“Todos os pacientes estão em fase terminal. Eu sei que é difícil lidar com a morte, mas queremos proporcionar um final de vida digno a essas pessoas.” É com esta frase que a supervisora de telemarketing do Lar Francisco de Assis, Cristina Cirilo, nos recebe. A entidade beneficente e sem fins lucrativos, que hoje atende 25 pacientes em fase terminal, é a única de Ribeirão Preto a prestar este tipo de apoio às pessoas de baixa renda.
A estrutura física do Lar é inteira planejada para receber os acamados, que geralmente são encaminhados por assistentes sociais de órgãos como hospitais e o CETREM (Central de Triagem e Encaminhamento ao Migrante, Itinerante e Morador de Rua). “Para oferecer a atenção necessária a todos os que estão aqui, nós atendemos um número menor de pessoas. Não adianta encher a entidade se não pudermos nos dedicar a todos”, afirma Cristina. Segundo ela, 40 funcionários dentre enfermeiros, médicos, faxineiros e cozinheiros são responsáveis pelo cuidado dos pacientes.
Uma nova ala, com todas as paredes pintadas da cor lilás, para trazer alegria e tirar o aspecto de hospital, foi construída e está quase pronta para receber mais 12 pacientes. Este espaço atende a todos os requisitos determinados pela Secretaria Municipal da Saúde, que embora conheça o trabalho realizado pelo Lar, ainda não o reconheceu. O não reconhecimento impede o recebimento de verba desta Secretaria e da dedução do imposto de renda de pessoas física e jurídica à entidade. “Assim que a ala estiver equipada e funcionando, esperamos que a Secretaria nos reconheça”, afirma Cristina. Segundo ela, cada paciente tem um custo de cerca de R$4 mil mensais: são fraldas geriátricas, complementos alimentares, alimentos em geral, remédios dentre outros. Hoje a entidade se mantém e paga todos os funcionários através da contribuição mensal daqueles carinhosamente apelidados de "padrinhos". “Porém, ainda não atingimos nem 40% da população de Ribeirão Preto”, diz Cristina.
Cada paciente possui uma história diferente, mas todos têm em comum o abandono pela própria família. Alguns recebem a visita esporádica de parentes, como a dona Maria*, portadora de câncer e Alzheimer, o irmão a visita de tempos em tempos, mas não chega a permanecer no Lar por mais de quinze minutos. O marido de dona Célia*, também portadora de câncer e com problemas relacionados ao alcoolismo, faz uma visita a cada três ou quatro meses. João*, que já foi maratonista, sofreu um acidente enquanto treinava e perdeu massa encefálica, a família o visita? Nunca. “Alguns têm até filhos e netos. Mas depois que chegam aqui, a família acaba se acostumando a não ter mais 'problemas' em casa e levam uma vida normal. Como sabem que estamos cuidando, acabam não se importando tanto”, diz Cristina. Porém, há outros pacientes que retornam às suas famílias após um período de permanência no Lar. “Nós também inserimos novamente o paciente em seus lares através de um trabalho intenso de readaptação. A família passa por orientação psicológica e mensalmente levamos cesta básica e os remédios necessários ao paciente”, afirma Cristina.
Os pacientes são divididos entre os quartos masculino e feminino, e cada quarto possui uma televisão. O ambiente, totalmente familiar, traz conforto e tranqüilidade até a quem decide visitar o Lar. “Aqui, ninguém grita ou sofre de dor. Porque embora doentes, todos terão um final digno e humano”, finaliza Cristina.

*Os verdadeiros nomes dos pacientes foram preservados.

O Lar Francisco de Assis está sempre de portas abertas para que você possa conhecê-lo. Faça a sua visita e seja também um padrinho! Rua Manoel Egydio dos Santos, nº 53 - Solar da Boa Vista - Ribeirão Preto - CEP: 14055-635 - Tel. (16) 2102-5757

Por Acontece Comunicação - acontece@acontece.jor.br

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